Durante quase uma década, as empresas de plataformas conseguiram organizar o debate público em torno de uma pergunta conveniente: motoristas, entregadores e demais trabalhadores mediados por aplicativos seriam empregados ou trabalhadores autônomos? Formulada nesses termos, a controvérsia parecia exigir apenas a escolha entre duas categorias jurídicas. Permanecia obscurecida, entretanto, uma questão anterior e mais decisiva: quem controla concretamente o trabalho organizado por plataformas digitais?