Fonte: Associação Brasileira de Estudos do trabalho - ABET.
Durante décadas, a economia do desenvolvimento operou com uma intuição simples. Países que enriquecem trabalham menos. A intuição tem lastro histórico, aparece nas séries de longo prazo das economias industriais e organiza boa parte do debate público sobre jornada. Um artigo publicado em 2026 no The Quarterly Journal of Economics, assinado por Amory Gethin e Emmanuel Saez, submete essa intuição a um teste de escala inédita. Os autores reuniram cerca de 2.600 pesquisas domiciliares para construir uma base sobre horas trabalhadas em 160 países, cobrindo 97% da população mundial, com séries de mais de vinte anos para 86 deles (Gethin; Saez, 2026, p. 11). O resultado desloca a pergunta. Interessa menos ranquear países por horas trabalhadas do que entender por que a duração do trabalho varia tanto entre economias de renda parecida.
