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Seminário Internacional na UAA fortalece cooperação latino-americana em pesquisas sobre trabalho.

Seminário Internacional na UAA fortalece cooperação latino-americana em pesquisas sobre trabalho.

Encontro reuniu pesquisadores do Brasil, México, Argentina e Chile para debater juventude, plataformas digitais, reformas laborais e novas agendas de investigação sobre o trabalho na América Latina.

A Universidad Autónoma de Aguascalientes (UAA), no México, sediou, em 1º de setembro de 2026, o Seminário Internacional “Trabajo en la encrucijada: jóvenes, plataformas y transformaciones laborales en América Latina”. Concebido como um espaço de intercâmbio de projetos e resultados de pesquisa, o encontro reuniu pesquisadores de diferentes instituições e países latino-americanos, combinando lançamento e discussão de livros com a apresentação de investigações em andamento.

Livros e pesquisas sobre o trabalho na América Latina

A primeira parte do Seminário foi dedicada à apresentação de quatro publicações recentes, todas relacionadas às transformações contemporâneas do trabalho e à construção de uma perspectiva latino-americana de análise.

Rosario Aparicio e Susana Rosales apresentaram Debates y miradas sobre el capitalismo de plataformas en América Latina, publicado por El Colegio de México.

Na sequência, Roberto Véras de Oliveira, Maria Aparecida Bridi, Andrea Delfino e Armida García apresentaram o livro resultante do projeto Platlaboral, Relaciones de trabajo en plataformas digitales en contextos periféricos: ¿factor de reestandarización en América Latina?. Andrea Delfino apresentou ainda Plataformas, algoritmos y trabajo a destajo.

Fechando esse bloco, Roberto Véras, Maria Aparecida Bridi e Octavio Maza apresentaram Diálogos críticos: el pensamiento extranjero y la sociología del trabajo en América Latina, publicação dedicada a discutir os modos pelos quais a Sociologia do Trabalho latino-americana dialoga com autores e tradições intelectuais produzidos em outros contextos. O bloco terminou com um período ampliado de perguntas e comentários, favorecendo a discussão conjunta das obras.

Pesquisas em andamento e construção de uma agenda comum

A segunda parte assumiu a forma de uma oficina de trabalho. Em vez de concentrar-se apenas em resultados concluídos, os participantes apresentaram projetos em andamento, problemas de pesquisa e hipóteses, abrindo espaço para comentários e para a identificação de possibilidades de cooperação.

Um primeiro conjunto de exposições abordou trabalho e juventude, pesquisas sobre trabalhadores de cinemas, temas emergentes dos estudos do trabalho e as relações entre plataformas digitais e reforma laboral no México. Em seguida, foram discutidas pesquisas sobre tolerância às práticas algorítmicas, implementação da reforma laboral no trabalho em plataformas e relações entre gênero e plataformas digitais.

O formato adotado favoreceu um diálogo transversal entre pesquisas que, embora desenvolvidas em diferentes contextos nacionais, enfrentam problemas comuns: precarização, novas tecnologias, gestão algorítmica, mudanças na regulação laboral, desigualdades e transformações nas trajetórias dos trabalhadores.

INCT Trabalho e cooperação regional

O último bloco ampliou essa perspectiva de articulação internacional. Roberto Véras de Oliveira apresentou o INCT Trabalho – Estratégias de Emancipação, destacando sua proposta de constituição de uma rede de pesquisa sobre as transformações do trabalho e as possibilidades de construção de alternativas de proteção, organização e emancipação dos trabalhadores.

Na sequência, Maria Aparecida Bridi e Andrea Delfino apresentaram o projeto comparativo sobre trabalhadores de entrega na América Latina. Delfino expôs também pesquisas desenvolvidas em Rosário e Santa Fé, na Argentina, enquanto Dasten Julián apresentou investigações realizadas no Chile.

Mais do que uma sequência de apresentações, o Seminário buscou aproximar grupos e projetos que vêm investigando problemas convergentes em diferentes países. A programação reservou, por isso, períodos significativos para debate em todos os blocos e encerrou-se com uma sessão específica de intercâmbio sobre agendas de pesquisa.

Realizado às vésperas do XI Congresso Internacional da ALAST, em Guadalajara, o encontro de Aguascalientes contribuiu para aprofundar relações de cooperação já existentes e identificar novas possibilidades de investigação comparativa. Ao aproximar pesquisadores do México, Brasil, Argentina e Chile, o Seminário reforçou uma perspectiva fundamental para os estudos contemporâneos do trabalho: compreender processos globais, como digitalização e plataformização, a partir das condições históricas, institucionais e sociais específicas da América Latina e, ao mesmo tempo, construir uma agenda de pesquisa produzida em diálogo entre os próprios países da região.