Por Leila Cangussu | ICL Notícias
Se você parar para pensar no que mudou de fato nas relações de trabalho doméstico no Brasil nos últimos cem anos, talvez se surpreenda com a resposta. A formalização ainda é exceção. O respeito aos direitos ainda depende de sorte. E o discurso afetivo segue sendo o maior escudo da exploração.
Mesmo com decisões judiciais, leis específicas e plataformas digitais para facilitar o registro, o trabalho doméstico segue sendo um campo onde o racismo estrutural, o machismo e o elitismo operam juntos para manter uma lógica antiga viva: a de que algumas pessoas existem para servir.
Neste artigo, você vai entender por que o trabalho doméstico continua sendo uma das formas mais perversas de reprodução da desigualdade no Brasil. Vamos percorrer as origens escravocratas dessa função, analisar os dados atuais sobre formalização e direitos, e discutir por que o discurso da “quase da família” ainda é tão usado para naturalizar abusos.
